Cimeira GAIL 2025

Visão geral

Esta sessão principal abordou a crescente lacuna entre as estruturas jurídicas tradicionais e as condições sociais, ambientais, econômicas e tecnológicas em rápida evolução que moldam o mundo moderno. Marcel Fukayama Marcel destacou como os sistemas jurídicos existentes — enraizados na estabilidade, nos precedentes e na ideologia da primazia do acionista — estão tendo dificuldades para fornecer respostas relevantes e eficazes a crises como as mudanças climáticas, a crescente desigualdade, a desinformação e tecnologias disruptivas como a inteligência artificial. Nesse contexto, Marcel apresentou o movimento global de “advogados de impacto”, que estão reimaginando o papel do direito, passando da mitigação reativa de riscos para o design proativo de sistemas, defendendo estruturas jurídicas que incorporem propósito, responsabilidade perante as partes interessadas e transparência na governança corporativa. A urgência, argumentou Marcel, não é simplesmente atualizar as ferramentas jurídicas, mas redefinir a própria profissão jurídica como impulsionadora de sistemas econômicos inclusivos, regenerativos e preparados para o futuro.

O Direito luta para acompanhar as realidades globais.

  • Marcel argumenta que as estruturas jurídicas tradicionais estão cada vez mais desalinhadas com os desafios contemporâneos, incluindo a crise climática, a desigualdade sistêmica, a estagnação econômica e a disrupção tecnológica.
  • Esses marcos — enraizados na estabilidade, nos precedentes e na tradição — estão mal equipados para lidar com os riscos globais em rápida evolução, o que resultou em uma “crise de relevância” para o direito.

Crítica à Doutrina Friedman

  • Uma crítica central se concentra no influente ensaio de Milton Friedman de 1970. “A responsabilidade social das empresas é aumentar seus lucros.”, que estabeleceu um paradigma de primazia do acionista: que o dever primordial de uma corporação é maximizar os lucros para seus proprietários.
  • Marcel sugere que esse modelo contribuiu para o aumento da desigualdade (evidenciada pela acumulação de riqueza por parte dos indivíduos), reforça a orientação para o lucro a curto prazo e mina o potencial do direito para servir a uma justiça social, ambiental e econômica mais ampla.

Crise de fé nas instituições jurídicas e econômicas

  • Como o sistema jurídico muitas vezes reflete e amplifica o capitalismo centrado nos acionistas, há uma crescente desconfiança em sua capacidade de gerar resultados equitativos ou de apoiar mudanças sistêmicas.
  • Além disso, a disrupção tecnológica — especialmente a IA — está criando um "efeito residual": contratos mal elaborados, processos legais automatizados e a mercantilização dos serviços jurídicos que minam o valor jurídico tradicional.

O Direito como Catalisador da Transformação

  • Em vez de encarar o direito puramente como uma ferramenta de gestão de riscos, o palestrante propõe utilizá-lo proativamente para conceber sistemas melhores. Isso exige uma mudança de mentalidade entre os profissionais do direito: da “mitigação de danos” para a “proteção”. modelagem sistêmica.
  • Os advogados devem evoluir para "arquitetos de sistemas jurídicos", criando ativamente normas legais que impulsionem resultados socialmente inclusivos a longo prazo.

Movimento de Advogados de Impacto e Governança Transformadora

  • Marcel destaca uma rede crescente de advogados de impacto (incluindo profissionais alinhados ao B Lab) que trabalham para institucionalizar estruturas legais que incorporem propósito, responsabilidade e transparência nos negócios:
    • PropósitoIncorporar metas alinhadas à missão nos estatutos corporativos, e não como acréscimos opcionais.
    • Governança das Partes InteressadasExigindo decisões que considerem não apenas os acionistas, mas também os funcionários, as comunidades, o meio ambiente, etc.
    • Transparência e relatóriosMedir, gerir e divulgar o impacto.

Inovação jurídica na prática

  • Leis das Empresas de BenefícioSegundo o palestrante, mais de 50 jurisdições já possuem legislação que permite a criação de empresas de benefício — entidades jurídicas que devem equilibrar o lucro com o benefício público.
  • Inovação nos Mercados de CapitaisÉ mencionado o “Índice das Grandes Empresas” (um projeto ligado ao B Lab), voltado para empresas de capital aberto que atendem a critérios orientados para o impacto — um veículo para mobilizar capital alinhado a propósitos transformadores.
  • Procuração públicaAdvogados desse movimento também estão pressionando por reformas nas licitações públicas para que o poder de compra do governo recompense externalidades sociais e ambientais positivas, e não apenas o preço.

Política Econômica e Infraestrutura Institucional

  • Para além das mudanças legais formais, este grupo de advogados está a construir um ecossistema de impacto: intermediários, plataformas políticas e fluxos de capital que apoiam empresas orientadas por um propósito e responsabilidade, em vez de apenas pelo lucro.
  • Marcel destaca que a mudança legal não se trata apenas de conformidade: trata-se de viabilizar um sistema econômico regenerativo e inclusivo.

Chamada para Ação

  • Marcel convida os profissionais do direito presentes a participar: a mudar sua identidade de advogado convencional para “arquiteto da mudança dos sistemas jurídicos”.
  • Há um apelo à ação coletiva para reformular as regras do jogo — por meio do direito, da governança e das instituições — a fim de construir um futuro juridicamente fundamentado, equitativo e sustentável.